Você está aqui: Página Inicial > Notícias > 2019 > Dezembro > Licenciamento 4.0 libera licenças para atividades de baixo risco

Economia

Licenciamento 4.0 libera licenças para atividades de baixo risco

Desburocratização

Decreto regulamenta classificação de risco de atividade econômica e aprovação tácita
por publicado: 19/12/2019 23h09 última modificação: 20/12/2019 17h53

Lançado nesta quinta-feira (19/12), pela Secretaria Especial de Modernização do Estado da Secretaria-Geral da Presidência da República e pela Secretaria de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, o Licenciamento 4.0 moderniza os processos de liberação de licenças, alvarás, premissões, autorizações e cadastros de empresas no país.

19-12-2019 - Lançamento do Licenciamento 4.0

O Decreto nº 10.178 estabelece o novo regime sobre atos públicos e a liberação de atividades econômicas. Inspirado nas melhores práticas do setor público e privado, ele regulamenta os direitos I e IX da Declaração Lei de Liberdade Econômica (Art. 3º da Lei nº 13.874 de 20 de setembro de 2019), definindo o conceito de baixo risco para dispensa de atos públicos em âmbito federal e estabelecendo prazos para a aprovação tácita.

O Licenciamento 4.0 tem como objetivo definir as atividades de leve, moderado e alto risco, segmentando o licenciamento conforme o grau de risco, para que o esforço público seja direcionado às situações que de fato demandem atenção do Estado, eliminando burocracia ineficaz. A Lei estabeleceu a regra geral: em situações consideradas de baixo risco, é dispensada a necessidade de qualquer ato público de liberação, como licenças, alvarás, cadastros, autorizações, permissões, entre outros.

"O novo modelo possibilitará ao Estado focar nas atividades de alto risco toda sua carga regulatória, de fiscalização e de licenciamento. O Estado tem que concentrar sua energia naquelas atividades que oferecem risco à sociedade”, destacou o secretário de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Paulo Uebel. “Vamos conhecer e entender, pela primeira vez, o tamanho da burocracia brasileira”, afirmou o diretor de Desburocratização da secretaria, Geanluca Lorenzon.

Os órgãos da Administração Federal deverão realizar, até 1º de junho de 2020, a classificação dos níveis de risco para cada tipo de ato público de liberação entre três categorias:  nível de risco I para os casos de risco leve, irrelevante ou inexistente; nível de risco II para os casos de risco moderado; e nível de risco III para os casos de risco alto.

As atividades de nível de risco I, em que a atual exigência do ato público de liberação tem finalidade meramente burocrática e não obedece ao princípio constitucional de eficiência da administração pública, dispensam a necessidade de ato público de liberação. Já as situações classificadas como de risco II (limitado, conhecido e previsível a ponto de ser evitado), farão uso de instrumentos de mitigação de risco, como autodeclarações, atestados de profissionais técnicos, entre outros, a fim de obter o chamado licenciamento automático. A Administração Pública focará no nível de risco III, ou seja, as situações que de fato devem fazer uso dos recursos da máquina pública.

Aprovação tácita

O Decreto também regulamenta a aprovação tácita, prevista na Lei de Liberdade Econômica. Haverá um prazo máximo para a Administração pública responder um requerimento de ato público de liberação. Após o prazo, se não houver pronunciamento do órgão público, o deferimento será automático. A liberação concedida na forma de aprovação tácita não exime o cumprimento das normas necessárias para a exploração da atividade. O prazo será estabelecido pelo próprio órgão, respeitando os limites máximos estabelecidos no decreto. A regra geral é estabelecer o prazo máximo de 60 dias. No primeiro ano de vigência, o prazo poderá ser de 120 dias e no segundo ano, 90 dias, a fim de assegurar uma gradual transição para o novo regime. Em situações excepcionais, o prazo estabelecido pelo órgão pode ser maior. Enquanto o órgão não fixar o prazo conforme o disposto no decreto, o prazo para análise será de 30 dias.

O decreto do Licenciamento 4.0 inaugura uma nova visão acerca da prestação de serviços pelo governo federal, orientada pela experiência do cidadão, no foco em situações de risco à sociedade e ao meio-ambiente, maximização da efetividade e nas melhores práticas de gestão pública. “O decreto é mais uma demonstração de que este governo coloca o cidadão no centro das suas decisões e que confia nele”, destacou Nizar Midrei, secretário e Soluções de Modernização e Resultados da Secretaria Especial de Modernização do Estado da Secretaria Geral da Presidência da República.

Prazos

Os órgãos e entidades responsáveis por licenciamento têm até 1º de junho para publicar a matriz de risco para cada tipo de ato público de liberação. Estados e municípios também precisam realizar suas classificações de risco para licenciamentos. Caso contrário, o decreto do Licenciamento 4.0 se aplica subsidiariamente a eles enquanto inexistir regulação própria do ente federativo. Todo o órgão responsável por um licenciamento deverá publicar, até 1º de junho, em seu sítio oficial, a matriz de risco com explicação exaustiva de todas as situações e classificações de níveis de risco.

Alguns licenciamentos, por sua natureza de risco e complexidade, não possibilitam que uma faixa de dispensa de ato público de liberação seja estabelecida. Nesses casos a matriz de risco elaborada pelo órgão classificará conforme o grau cabível a fim de garantir a segurança e integridade.
O prazo é estabelecido pelo órgão, e, para os licenciamentos que envolverem grande complexidade e potencial risco à sociedade, o prazo poderá ser superior a 60 dias. Nos primeiros dois anos, o prazo máximo é aumentado para 120 e 90 dias respectivamente. Na União Europeia, por exemplo, até autorizações de testes de medicamentos possuem prazos definidos com efeitos tácitos.

O Licenciamento 4.0 se aplica parcialmente a questões ambientais. A Lei de Liberdade Econômica é uma norma geral que abrange a todos os tipos de licenciamento, e, como consequência, o decreto também tem esse efeito. Entretanto, o direito ambiental, por exemplo, tem regramentos específicos que não podem ser desrespeitados, e que limitam a aplicação de certas possibilidades. 

 Matéria republicada com alterações.